segunda-feira, 18 de junho de 2018


Dia Internacional do Pânico

“O medo de ter medo” - Pânico o irmão mais velho da ansiedade

O quadro de Pânico corresponde a um quadro de ansiedade, sendo que Portugal relativamente aos quadros de ansiedade lidera a lista de países europeus com uma taxa de prevalência 16,5% (Estudo Epidemiológico de Saúde Mental, DGS, 2014).
A ansiedade tem um importante papel nas nossas vidas, ajuda-nos a preparar para situações novas a procurar e desenvolver novos recursos. Esta é a ansiedade adaptativa que nos ajuda a crescer. A ansiedade não adaptativa é a que passa a ser padrão, independentemente das circunstâncias em que estamos. Traz normalmente um elevado grau de invalidação. Por isso mesmo há uma diferença entre crises de ansiedade e crises de pânico. Na crise de pânico, os sintomas físicos extremos são acompanhados do pensamento inabalável que se vai morrer no momento. As crises de ansiedade podem ser transitórias e estar associadas a momentos específicos da vida, normalmente mais exigentes. Contudo é necessário mantermo-nos atentos, sobretudo se persistirem mais no tempo. É sinal que precisamos de ajuda.
A ansiedade é um complexo de emoções, cuja emoção central é o medo e que se centra na antecipação irrealista ou excessiva de consequências danosas ou catastróficas. O medo é uma emoção primária (activação Sistema Nervoso Central) de tonalidade desagradável, adaptativa face a situações novas ou que representam potencial ameaça e cuja principal função é protectora. Visa assegurar a sobrevivência e por isso mesmo desencadeia em termos de adaptação uma resposta de fuga, confronto ou congelamento.
O Pânico caracteriza-se por episódios recorrentes ou intermitentes de mal-estar intenso e grave não associados a circunstâncias específicas. Os sintomas mais valorizados são normalmente os sintomas cardíacos (taquicardia e palpitações) e sintomas neurovegetativos (tonturas e vertigens). É essa valorização que irá determinar a cognição central de Pânico, medo de morrer com enfarte ou ter um AVC (perder o controlo ou estar a enlouquecer). Algum suporte psicofarmacológico poderá ajudar a controlar os sintomas, mas não resolve a sua origem. A intervenção psicológica ajuda a resolver as causas. Dificuldades no reconhecimento de sentimentos de vulnerabilidade, em pedir ajuda, no acesso a cuidados de sáude psicológica especializados e a intervenção ser exclusivamente farmacológica levam muitas vezes à cronicização dos sintomas. Desse modo, quanto mais tardia surgir a intervenção psicológica, maior a probabilidade de se desenvolverem concomitantemente, quadros depressivos, constituindo-se este quadro como uma das maiores fontes de incapacidade em Portugal, com todas as consequências e custos associados do ponto de vista da saúde e qualidade de vida das pessoas e respectivas famílias, saúde pública e enquanto uma das causas mais frequentes para absentismo e presentismo no contexto laboral (Ordem dos Psicólogos Portugueses, 2014).
De acordo com os dados da Ordem dos Psicólogos Portugueses (2014) e da Comissão Nacional de Saúde Mental (2016), na população portuguesa é mais comum nas mulheres e nos jovens estando ligado às novas exigências e conciliação dos papéis profissional e familiar e nos jovens  à conquista de autonomia e dificuldades de integração no mercado de trabalho e às condições para o mesmo (conquista de adultidade). De acordo com o estudo Epidemiológico de Saúde Mental (2009) apenas 32,6% dos casos receberam ajuda especializada. O consumo de ansiolíticos na população adulta aumentou consideravelmente entre 2009 e 2016 (passou de 12,4% para 14,6%). Portugal surge como o 2º país no qual se consomem mais psicofármacos.
Resolver um quadro de pânico implica ter ajuda psicológica especializada, psicoterapêutica. Dentro dos vários modelos psicoterapêuticos, a terapia cognitivo comportamental é a que tem maior eficácia. Os objectivos da psicoterapia passam por perceber de onde vem o que se passa e aprender a lidar com o que se passa; compreender que existe uma relação de congruência entre a forma como pensamos, sentimos e agimos e em reconhecer os padrões ligados a estas três áreas de funcionamento; aprender que existe um ciclo vicioso do pânico e formas de o interromper; aprender a colocar flexibilidade, a criar mais alternativas e a ganhar graus de liberdade na forma como nos pensamos, pensamos e vemos os outros e o Mundo à nossa volta.
O mal-estar emocional tem sempre que ver com o que se passa ou tem passado na nossa vida, com o que precisamos e não estamos eventualmente a ter ou a dar-nos, ou com o que se tem passado e repetido e já não necessitamos. Deste modo a psicoterapia ensina-nos a queixarmo-nos emocionalmente e não apenas fisicamente. O Pânico não é mais do que um sinal de rebentamento do nosso dique existencial.
Normalmente a nossa primeira tendência face a situações desagradáveis é evitá-las. Contudo, como em quase todos os quadros psicológicos não conseguiremos resolver um quadro de pânico sem aprender a reconhecer o medo, aproximarmo-nos dele e de uma forma gentil para connosco próprios, aprendermos a habitar o medo de outra forma. É preciso coragem, segurança, confiança e bondade para o fazermos.

A Pomar de Braços pode ajudá-lo a resolver o seu quadro de Pânico, procure-nos.

Estaremos cá para si.

Dr.ª Íris
Guerra

Psicologia Clínica e da Saúde | Psicoterapia

A Psicoterapia é um processo de desenvolvimento pessoal que tem como principal objectivo a transformação e desenvolvimento de recursos, nova...